A Era Vargas Explicada: O Presidente Que Mudou o Brasil

O governo de Getúlio Vargas transformou profundamente o Brasil. Durante quase 20 anos no poder, Vargas modernizou a economia, criou direitos trabalhistas fundamentais e governou sob diferentes regimes políticos. Este artigo explica de forma clara e objetiva quem foi Getúlio Vargas, o que caracterizou a Era Vargas e qual o legado deste período para o Brasil contemporâneo.

Quem Foi Getúlio Vargas? Contexto Histórico

Getúlio Dorneles Vargas nasceu em 1882 no Rio Grande do Sul. Advogado e militar, chegou ao poder através da Revolução de 1930, que encerrou a República Velha. Antes de Vargas, o Brasil era dominado pela política do café com leite, um acordo entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais que se alternavam na presidência.

A crise econômica de 1929 devastou a economia cafeeira brasileira e fragilizou as elites tradicionais. Quando Vargas perdeu as eleições presidenciais de 1930, articulou um golpe militar que o levou ao poder em 3 de novembro daquele ano. Este momento marcou o início de transformações profundas na política brasileira.

As Três Fases do Governo Vargas

A Era Vargas divide-se em três períodos distintos, cada um com características próprias. Compreender essas fases é fundamental para entender a complexidade deste governo.

Governo Provisório (1930-1934): Centralização do Poder

Ao assumir, Vargas dissolveu o Congresso Nacional e fechou assembleias estaduais. Nomeou interventores federais para governar os estados, concentrando poder de forma inédita. Criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, marcando a primeira vez que o governo federal assumiu responsabilidade direta sobre questões trabalhistas.

A centralização gerou forte reação. Em 1932, São Paulo liderou a Revolução Constitucionalista, exigindo uma nova constituição e eleições. Embora derrotados militarmente, os paulistas conseguiram que Vargas convocasse uma Assembleia Constituinte, encerrando o período provisório.

Governo Constitucional (1934-1937): Breve Democracia

A Constituição de 1934 representou avanços democráticos significativos. Instituiu o voto feminino, tornou o ensino primário gratuito e obrigatório, criou a Justiça do Trabalho e reconheceu direitos trabalhistas. Vargas foi eleito presidente pela Assembleia Constituinte para um mandato de quatro anos.

Este período caracterizou-se pela intensa polarização política. A Ação Integralista Brasileira (extrema-direita) e a Aliança Nacional Libertadora (esquerda) disputavam influência. Em 1935, a tentativa comunista de derrubar o governo, conhecida como Intentona Comunista, fracassou mas forneceu pretexto para Vargas aumentar a repressão.

Estado Novo (1937-1945): A Ditadura Vargas

Em 1937, Vargas cancelou as eleições previstas e instaurou uma ditadura. O pretexto foi o Plano Cohen, suposto plano comunista para tomar o poder, posteriormente revelado como documento forjado. A nova Constituição, chamada de Polaca, concentrou todos os poderes no presidente e extinguiu partidos políticos.

O Estado Novo caracterizou-se pelo autoritarismo intenso. O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) controlava rigorosamente os meios de comunicação e promovia o culto à personalidade de Vargas. Opositores enfrentavam prisão, tortura e exílio. Greves eram proibidas e sindicatos controlados pelo governo.

Os Direitos Trabalhistas e a CLT

Paradoxalmente, o período mais autoritário produziu os maiores avanços sociais. Em 1940, Vargas criou o salário mínimo. Em 1943, promulgou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que garantiu direitos fundamentais como jornada de oito horas diárias, descanso semanal remunerado, férias anuais e regulamentação do trabalho feminino e infantil.

Estas conquistas consolidaram a imagem de Vargas como “pai dos pobres”. Entretanto, os direitos trabalhistas serviam também como instrumento de controle. Os sindicatos eram subordinados ao Estado, e a mobilização operária ocorria sob rígida supervisão governamental.

Industrialização e Desenvolvimento Econômico

O governo Vargas promoveu intensa industrialização através de empresas estatais estratégicas. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), fundada em 1941, permitiu que o Brasil produzisse aço. A Companhia Vale do Rio Doce passou a explorar minério de ferro nacionalmente.

Esta política desenvolvimentista reduziu a dependência externa e modernizou a economia brasileira. O país deixava de ser essencialmente agrário e começava a se transformava em economia industrial diversificada.

Brasil na Segunda Guerra Mundial e o Fim do Estado Novo

A participação brasileira na Segunda Guerra Mundial expôs contradições fundamentais do regime. Após ataques alemães a navios brasileiros, o Brasil declarou guerra ao Eixo em 1942 e enviou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater na Itália.

Lutar contra ditaduras na Europa enquanto o Brasil vivia sob autoritarismo gerou pressões pela redemocratização. Em outubro de 1945, militares depuseram Vargas, encerrando quinze anos de governo ininterrupto.

Segundo Governo Vargas (1951-1954): Retorno Democrático

Vargas retornou ao poder democraticamente nas eleições de 1950, vencendo com 49% dos votos pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). O segundo governo caracterizou-se pelo nacionalismo econômico e preocupação em governar dentro dos marcos democráticos.

Petrobras e o Nacionalismo

A criação da Petrobras em 1953, após intensa campanha popular sob o lema “O petróleo é nosso”, estabeleceu o monopólio estatal sobre petróleo. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), atual BNDES, foi fundado em 1952 para financiar a industrialização.

Crise Política e o Atentado da Rua Tonelero

Vargas enfrentou forte oposição política e crise econômica. A inflação elevada e greves constantes deterioravam sua popularidade. O jornalista Carlos Lacerda realizava críticas contundentes ao governo.

Em agosto de 1954, um atentado contra Lacerda na Rua Tonelero matou o major da Aeronáutica Rubens Vaz. Investigações apontaram o chefe da guarda pessoal de Vargas como mandante. A revelação provocou crise política sem precedentes, com militares exigindo a renúncia presidencial.

O Fim de Getúlio Vargas

Na manhã de 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas se leva dessa para uma melhor no Palácio do Catete com um tiro no coração. Deixou uma carta que se tornou documento histórico fundamental, afirmando: “Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo.”

A morte transformou Vargas em mártir aos olhos populares. Manifestações em sua defesa eclodiram nacionalmente, revertendo dramaticamente o cenário político.

Legado da Era Vargas: Avanços e Contradições

A avaliação sobre Getúlio Vargas permanece controversa. Seu governo combinou autoritarismo com avanços sociais, repressão com desenvolvimento econômico, ditadura com conquistas trabalhistas.

Influência Contemporânea

O varguismo permanece influente na cultura política brasileira. Políticos de diferentes espectros ideológicos reivindicam elementos do legado varguista. A CLT, apesar de reformas, continua como base da legislação trabalhista. Empresas estatais criadas na Era Vargas permanecem estratégicas. O debate sobre o papel do Estado na economia frequentemente remete às políticas desenvolvimentistas de Vargas.

Era Vargas nos Vestibulares

A Era Vargas é tema recorrente em provas de História. Os exames abordam as três fases do governo, a Revolução de 1930, a Constituição de 1934, o Estado Novo, a CLT, a participação na Segunda Guerra Mundial e o nacionalismo econômico.

Questões frequentemente relacionam a Era Vargas com contextos internacionais, comparando com fascismo, nazismo e New Deal americano. O populismo como fenômeno político, direitos trabalhistas e o papel do Estado na economia são analisados sob múltiplas perspectivas.

Conclusão: Compreendendo a Complexidade Histórica

A Era Vargas representa período fundamental para compreender o Brasil contemporâneo. As transformações implementadas entre 1930 e 1954 moldaram estruturas políticas, econômicas e sociais que permanecem até hoje.

Getúlio Vargas foi figura contraditória que não pode ser classificada simplesmente como bom ou ruim. Os direitos trabalhistas conquistados não podem ser separados do contexto autoritário em que foram implementados. O desenvolvimento econômico ocorreu simultaneamente à repressão política.

Compreender este período histórico exige análise crítica que reconheça tanto contribuições quanto problemas. O legado varguista permanece presente em debates atuais sobre direitos trabalhistas, empresas estatais e desenvolvimento nacional, tornando essencial o estudo aprofundado da Era Vargas para a formação cidadã.

Publicado em 29/11/2025

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